Rita Pankará

“Sentei numa mesa de jurema, sentei, balancei meu maracá e foi aí que eu abalei jurema preta, senhor e mestre dê um tombo e venha cá”, canta Rita, afinada, numa voz forte e comovente. Como se cada palavra brotasse dela de um lugar profundo, de identidade e fé. Rita é indígena Pankará, tem 73 anos e há mais de seis vive em Orocó, mas nasceu em Mirandiba (PE). Não é mulher de muitas palavras. Carrega nos olhos a profundidade de quem já viu muito.

Na Jurema Sagrada, encontra seu território espiritual. Uma tradição ancestral indígena, também atravessada por influências cristãs e afro-brasileiras. Rita, além de rezar, bate folha, indica e prepara banho de ervas, macerando as folhas, apertando a planta até sangrar sua seiva, que ao se diluir na água, lava o corpo e descarrega, equilibra ou energiza a alma.

Visita no dia 02 de agosto de 2024.